Todos os gritos da alma transformo em poemas porque todos os poemas são gritos de mim.
terça-feira, 11 de abril de 2017
Garrafa D'água
Jazia o mar
Jazia o desconhecido
As feras se revoltavam por lá
A tempestade no céu
Trovejava e sacudia a superfície
A arraia saltava
e tentava alcançar
Os temidos e amados trovões
No profundo
O peixe e o golfinho
Dançavam uma valsa
Ao cântico da tempestade
Mas o homem
Sedento de tudo
Não liga pro mar
Não liga pra valsa
Só liga pra sede
E assim o homem
De gole em gole
Engoliu tudo
Não sobrou uma gota
Apenas sede.
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
Reflexo
Vi o homem que me tornei
Os amores perdidos, as desilusões
E os sonhos que ficaram pelo caminho
Ao me perder no fundo dos meus olhos
Me perdi em tudo que existe
Lembrei do passado com a música que tocava ao fundo
As lágrimas escorriam, mas eu não me importava de sentir
Os rostos que marcam até hoje
Se tornaram vivos na minha mente
E eu transbordei muito mais de mim
Os sentimentos tamborilavam
O sorriso não queria deixar de vir
O reflexo mostrava tudo
E ao mesmo tempo muito pouco
A alegria de ser quem sou se refletia ali
Mas o que ficou no passado não
As marcas de crescimento estavam nítidas
Menos arranhões que permeiam o coração
Pois estes se perdiam na minha imensidão
Hoje o reflexo
Que demonstra muito da aparência
Não transmite o mínimo da essência
Da felicidade e dor de ser quem sou
Mas ao olhar no espelho
E se perder em devaneios
O menino sonhador
Nota o tanto que mudou
E o quanto se agradou
Do homem que veio a ser
Por vezes reflexo, outras vezes infinito.
terça-feira, 6 de dezembro de 2016
Sereia
Eu caí no encanto da sereia
Ela me olhou com aqueles olhos verdes
Me disse coisas suaves ao pé do ouvido
Encantou meu mundo
E desapareceu
Depois da partida
Vi que meu coração não estava mais ali
Ela o tinha levado
E deixado alguns pedaços
Largados pelo chão
Me perdi naquele mar verde
Que eram seus olhos
No abraço apertado
E no corpo que eu tinha em mãos
Mas ela decidiu partir
Me encantou
Me despedaçou
E foi atrás de um novo sonhador
Para os seus encantos desaguar.
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Bocas
sexta-feira, 16 de setembro de 2016
Insônia
Insônia minha cara
Não me deixe igual um vira lata
Perdido pela imensidão
Deixe aquele amigo sono entrar
Para poder acalmar
Esse coração e a mente
Pois com ele ausente
Tudo aqui vem à borbulhar
Não é que eu não goste
Das nossas noites de degredo
Mas esses lampejos de ilusão
Já não quero alimentar
Amanhã quando você me abandonar
Me deixará na rotina
Na companhia da exaustão
Se tu realmente for companheira
Me deixa ir para o mundo de Morfeu
Que eu retorno
Pra me perder em pensamentos
Nos braços teus.
sexta-feira, 9 de setembro de 2016
Vertigem ao Acaso
Se tu me dá a mão no escuro
Te abraço inseguro
E me jogo na imensidão
Se teu corpo me cala boca
Com a tua pele entre meus lábios
Eu de soslaio me perco em tuas mãos
Na vertigem do nosso encontro
Me vejo íngreme entre o prazer e o pranto
Pois a alma só pede calmaria
Na fornalha que é o coração
Entre cada passo dado
Planejo que o acaso
Continue sendo nosso deus de união.
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
Guerra
Toda a ira que estava aqui
Explodiu!
E lá se foram vários cacos de mim
Rasgou quem tinha que rasgar
Incomodou a quem quisesse olhar
Houve outra explosão!
A guerra começou
Era caco pra todo lado
E eu jogando os fardos
Quanto mais eu gritava
Mais a perna tremia
O nervosismo me exaltava
E meu corpo urgia
Quando a briga cessou
Era destroço pra todo lado
E eu catando pedaço por pedaço
A vontade era de construir uma muralha
Mas com tantas falhas
Só consegui reconstruir
Minha sanidade.