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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Bocas

Se as bocas que me querem 
Me quisessem 
Como eu as quero 
Eu seria mais sincero 
E não às deixaria na solidão 

Mas eu, caro órfão de amor 
Só carrego o amargor 
De querer apenas uma boca 
Aquela, incólume 
Que eu não posso tocar 
E o que resta é almejar 

O fato é que estou fadado 
A carregar esse pesar 
De querer entrelaçar minha língua 
Na boca longínqua 
Que já não quer mais me beijar.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Do hoje ao até quando?

Hoje sou o lixo
Sou o nicho
Que escorre pelo Rio Nilo

Amanhã eu sou carcaça
Sou a caça acabada
Que morreu na muralha

Ontem eu fui o pó
Do fundo do poço
Que ainda está só

Um dia serei estrela
Que brilha sozinha
Sem eira nem beira.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Poema de segunda à um amigo

Ó meu amigo
Meu amigo turbulento
de tantas histórias na nossas vidas
sempre encontramos o desalento

Se te magoei me perdoe
Por ser esse fraco pecador
Apenas não use esse açoite
com tanto fervor

Vem aqui
Senta ao meu lado
Deixa eu ouvir o teu choro calado

Me empreste seus ombros
nas horas turvas
Me mostra um caminho
insento de espinhos

De tantos abraços maltrapilhos
eu quero o teu
para não me sentir sozinho.