terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Sereia

Eu caí no encanto da sereia
Ela me olhou com aqueles olhos verdes
Me disse coisas suaves ao pé do ouvido
Encantou meu mundo
E desapareceu

Depois da partida
Vi que meu coração não estava mais ali
Ela o tinha levado
E deixado alguns pedaços
Largados pelo chão

Me perdi naquele mar verde
Que eram seus olhos
No abraço apertado
E no corpo que eu tinha em mãos

Mas ela decidiu partir
Me encantou
Me despedaçou
E foi atrás de um novo sonhador
Para os seus encantos desaguar.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Bocas

Se as bocas que me querem 
Me quisessem 
Como eu as quero 
Eu seria mais sincero 
E não às deixaria na solidão 

Mas eu, caro órfão de amor 
Só carrego o amargor 
De querer apenas uma boca 
Aquela, incólume 
Que eu não posso tocar 
E o que resta é almejar 

O fato é que estou fadado 
A carregar esse pesar 
De querer entrelaçar minha língua 
Na boca longínqua 
Que já não quer mais me beijar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Insônia

Insônia minha cara
Não me deixe igual um vira lata
Perdido pela imensidão

Deixe aquele amigo sono entrar
Para poder acalmar
Esse coração e a mente
Pois com ele ausente
Tudo aqui vem à borbulhar

Não é que eu não goste
Das nossas noites de degredo
Mas esses lampejos de ilusão
Já não quero alimentar

Amanhã quando você me abandonar
Me deixará na rotina
Na companhia da exaustão

Se tu realmente for companheira
Me deixa ir para o mundo de Morfeu
Que eu retorno
Pra me perder em pensamentos
Nos braços teus.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Vertigem ao Acaso

Se tu me dá a mão no escuro
Te abraço inseguro
E me jogo na imensidão

Se teu corpo me cala boca
Com a tua pele entre meus lábios
Eu de soslaio me perco em tuas mãos

Na vertigem do nosso encontro
Me vejo íngreme entre o prazer e o pranto
Pois a alma só pede calmaria
Na fornalha que é o coração

Entre cada passo dado
Planejo que o acaso
Continue sendo nosso deus de união.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Guerra

Toda a ira que estava aqui
Explodiu!
E lá se foram vários cacos de mim

Rasgou quem tinha que rasgar
Incomodou a quem quisesse olhar
Houve outra explosão!

A guerra começou
Era caco pra todo lado
E eu jogando os fardos

Quanto mais eu gritava
Mais a perna tremia
O nervosismo me exaltava
E meu corpo urgia

Quando a briga cessou
Era destroço pra todo lado
E eu catando pedaço por pedaço

A vontade era de construir uma muralha
Mas com tantas falhas
Só consegui reconstruir

Minha sanidade.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Máquina

O peito ferve mais que água
Enclausurado em uma dor
Essa máquina chamada coração
Está quebrada
Não rebobina mais

As peças soltas e gastas
Já não encaixam
E muito menos voltam pro lugar

A inquietação aperta forte
E esse coração sem sorte
Só funciona no tranco

Mais velho e incerto
Cheio de peças trincadas
E marcas de ferrugem

Quando chegar ao ato final
Essa máquina vai explodir
Quero ser o primeiro a ver a destruição
Vai ter pó pra todo lado
E o tempo de concertar o passado
Se tornará solidão.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Narcisos

Eles eram narcisos
Quando se encontraram
A beleza de ambos
Os encantou

Ao tirar os olhos
Do próprio reflexo
Cada um via
No fundo dos olhos
A beleza do outro

Mesmo voltando-se
Ao lago onde se viam
A mente permanecia
No belo narciso visto

Então após o tempo
Eles se tornaram flores
O reflexo já não importava mais
Apenas o buque que eles eram
Quando estavam juntos.