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segunda-feira, 18 de julho de 2016

Máquina

O peito ferve mais que água
Enclausurado em uma dor
Essa máquina chamada coração
Está quebrada
Não rebobina mais

As peças soltas e gastas
Já não encaixam
E muito menos voltam pro lugar

A inquietação aperta forte
E esse coração sem sorte
Só funciona no tranco

Mais velho e incerto
Cheio de peças trincadas
E marcas de ferrugem

Quando chegar ao ato final
Essa máquina vai explodir
Quero ser o primeiro a ver a destruição
Vai ter pó pra todo lado
E o tempo de concertar o passado
Se tornará solidão.

domingo, 8 de maio de 2016

Pérola

Minha pérola ameaçou chorar
Minha amada pérola
Eu só quis te abraçar

Eu não quero ser alguém te condena
Quero ser teu salvador
Teu herói

O carrasco que está logo ali
Não vai te alcançar
Fica do meu lado
Não me deixe ir só guerrear

Quando me olhar
Não tema
Eu serei teu afago
Te cederei meu coração

Por vezes tenho um jeito torto de mostrar 
Mas minha querida pérola
Sua vida, só quero ajudar

Depois de tantas histórias
Tantos anos
Você minha guerreira
Se toma em magia

De pó a pérola
Na transfusão do destino
Torna-se minha jóia mais rara.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Vazio

Esvaziando-me
Como se esvazia uma jarra
Como quem perde a alma
Ou um grande amor

A secura bate
E o eco permeia meu coração desabitado
O pó arde     
E começam os maus agouros

Perdendo cada traço
De um antigo eu
Para me encher de um novo ser
Que não tenha haver com os outros

Enquanto a secura está na porta
Abraço o vazio
Me caio em gargalhadas
Por que prefiro tristeza só
Do que bem acompanhada.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Cupido

De fato
Eu briguei com o cupido
Aquele velho amigo
Não me flecha mais

Nessas terras áridas
Que chamo de coração
Só tem pó, pedra e chão

Não foi por mal o rompimento
É que lamentos do coração
Me enervam sem solução

Dos corpos que me tocam lábios
Ainda não senti um afago
Que me tire o ar              
Como flecha à me acertar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Beija-flor

Tão rápido
Tão belo
Pequeno
E singelo

O beija-flor
Que mimo
Perdeu seu coração

Ele que sempre foi fugidor
Hoje sente a dor
Da solidão

O coração pequenino
É consumido
Pela dor da devoção

E o beija-flor sorrateiro
Que sempre se via em primeiro
Agora se perde

Atrás de um coração.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Coração de Atlas

Com a força de Atlas
Carrego um mundo em minhas costas
Um mundo de dor
Tristeza e sofrimento

Uma guerra desbravada
Dentro de um coração
Decaído e partido ao meio

Um mundo de barreiras,
Medos e receios
Pois nele se constroem e se destroem preceitos

Não há amor
Não há luz nesse coração
Só trevas que vem e que vão.