Me seduza
Me abusa
e não me julga
Me trasforma em pedra
e me admira sem descansar
e sentir o sangue ardente
Nesse risco que é te tocar
Que eu serei uma estátua
a te amar.
Todos os gritos da alma transformo em poemas porque todos os poemas são gritos de mim.
Um dia na cama
Lendo um mantra
de autofagias
e liberdades ambíguas
Um chocolate quente
que lembra a mente
de quem está ausente
Uma nota musical
que tem tom colossal
de mandar a saudade embora
e colocar de volta
A paixão pela porta
Uma companhia em demasia
Cantando aquela nona sinfonia
Sinfonia distante
que deixa por enlance
o coração perdido
Um coração fugaz
e tão sagaz
Quanto a pequena lebre
que corre pela vida
como se perde em um amor inerte.
Ouça meu bem
Eu continuo a te amar
Leia esse poema
Para esse decaído poeta
Se aquietar
Ainda ouço nossas tantas músicas
Ainda sinto nossos tantos cheiros
Ainda guardo os nossos segredos
Ainda sou teu
Mesmo que tenha tudo mudado
E por algum acaso
Eu não seja meu
Ainda serei teu
Serei teu nos versos
Nos desenhos e nos pensamentos
Serei teu a todo momento
Pois toda a sua magia
Ainda insti em permear
Esse tolo artista
Que já não sabe mais cantar.
Um arrependido jogado aos ratos
Sofre de um sofrer calado
Sente a dor que o lança ao chão
Que o faz se sentir em uma prisão
Grita o perdão
mas só ouve a culpa ecoar
Sente a aflição
do seu medo rouco cantar
Sente a alma estilhaçada
a única junção, é o perdão!
que demora a chegar
Uma culpa desvairada
Uma terrível madrugada
o deixam assim sem chão, sem lar...
Ó meu amigo
Meu amigo turbulento
de tantas histórias na nossas vidas
sempre encontramos o desalento
Se te magoei me perdoe
Por ser esse fraco pecador
Apenas não use esse açoite
com tanto fervor
Vem aqui
Senta ao meu lado
Deixa eu ouvir o teu choro calado
Me empreste seus ombros
nas horas turvas
Me mostra um caminho
insento de espinhos
De tantos abraços maltrapilhos
eu quero o teu
para não me sentir sozinho.