quinta-feira, 24 de março de 2016

Mestre da Carne

Em êxtase
Virei mestre da carne
Te entreguei meu corpo
Me mostrei sem disfarce

Minha pele gemia
A carne tremia
E o sangue ardia
De tanto tesão

No agrado do seu gosto
Me tornei o oposto
E senti o seu mel

E a cada trago
Te trazia pra mim
Temendo que a noite
Tivesse um fim.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Vai, passarinho.

Voa passarinho
Voa pra longe
Foge dessa gaiola
Que chamo de coração

Bata as asas
Meu caro liberto
O incerto do nosso amor
Não me aflige mais

Procure a felicidade
Ache outros ninhos
E fuja dos carcarás

Essa gaiola ficará por aqui
De portas abertas
Para um novo ninho
Ou para enferrujar

Que tu passarinho
Encontre a felicidade ao longe
E volte para cá,
Com a alegria estampada
Em suas asas.

terça-feira, 22 de março de 2016

Linhagem Quixote

Eu que já fui tantos
Santos
Silvas
Araújos
Hoje aceito minha linhagem  
Aquela que não vem da carne

Minha linhagem Quixote
Que ataca moinhos de vento
Que remoe lamentos

Aquela que me faz crer
Em dragões,           
Em fábulas e emoções 

Esta linhagem que cerca a mente
Que embebeda    
Distorcendo a realidade do meu ser

Eu realmente sou um Quixote
Um desses que leva trote da vida
Que já não sabe se acredita
no amor ou na ferida

E corre ao ataque dos dragões
Que talvez sejam moinhos
Ou então  sejam porões 
Ou talvez sejam apenas um talvez.
                                
De fato um Quixote
Uma dessas pessoas sem sorte
Que se perde
Entre a vida e a morte.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Cupido

De fato
Eu briguei com o cupido
Aquele velho amigo
Não me flecha mais

Nessas terras áridas
Que chamo de coração
Só tem pó, pedra e chão

Não foi por mal o rompimento
É que lamentos do coração
Me enervam sem solução

Dos corpos que me tocam lábios
Ainda não senti um afago
Que me tire o ar              
Como flecha à me acertar.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Beija-flor

Tão rápido
Tão belo
Pequeno
E singelo

O beija-flor
Que mimo
Perdeu seu coração

Ele que sempre foi fugidor
Hoje sente a dor
Da solidão

O coração pequenino
É consumido
Pela dor da devoção

E o beija-flor sorrateiro
Que sempre se via em primeiro
Agora se perde

Atrás de um coração.

sábado, 26 de dezembro de 2015

Artista

Leia-me
Com esses olhos de poesia
Me toque 
Como uma nona sinfonia 

Me olhe 
Como se observa um quadro 
Me pinte 
Pedaço por pedaço 

Me rabisque 
Com curvas de sedução 
Me molde 
Com as suas mãos 

Me rege 
Mantendo a harmonia 
Me canta 
Como a voz que fascina 

Me mostre o que interessa 
Como se fosse o último ato 
Da nossa peça.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Pecados Noturnos

Toda noite é essa guerra
Travada dentro de mim
Não é amor e dor
Pois desses dois eu me cansei
      
O que me dói mesmo,
Fome                       
O que sinto mesmo,
Preguiça
  
A fome sempre bate vigorosa
Forte e robusta
querendo me levar à mesa

A preguiça já chega de mansinho
Como quem pede carinho    
E atenção
    
Sempre é esse dilema
A fome esquenta
E a preguiça esfria

Por demais, a preguiça vence
Mas com a fome latente
Eu choro sem emoção

Quando a fome vence
A preguiça mente
E eu faço tudo sem devoção 

Dois pecados capitais
Que de forma sagaz
Sambam na minha harmonia

E no fim das contas
Nessa vida ambígua
De quem me ganha
Se é a fome ou a preguiça 
   
Eu tento esquecer meu coração.