terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Pecados Noturnos

Toda noite é essa guerra
Travada dentro de mim
Não é amor e dor
Pois desses dois eu me cansei
      
O que me dói mesmo,
Fome                       
O que sinto mesmo,
Preguiça
  
A fome sempre bate vigorosa
Forte e robusta
querendo me levar à mesa

A preguiça já chega de mansinho
Como quem pede carinho    
E atenção
    
Sempre é esse dilema
A fome esquenta
E a preguiça esfria

Por demais, a preguiça vence
Mas com a fome latente
Eu choro sem emoção

Quando a fome vence
A preguiça mente
E eu faço tudo sem devoção 

Dois pecados capitais
Que de forma sagaz
Sambam na minha harmonia

E no fim das contas
Nessa vida ambígua
De quem me ganha
Se é a fome ou a preguiça 
   
Eu tento esquecer meu coração.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Inspiração

Inspiração minha querida amiga
Não vá tão cedo
Logo no meio da minha poesia

Sei que estás com pressa
Mas não suma da minha rima
Ainda há algo que lhe interessa
Ainda existe uma alma lírica.

Então tá, você venceu
Agora só posso lhe dizer adeus
E aceitar,
Que esse poema,
nunca vai se ...

(Acabar)

sábado, 14 de novembro de 2015

Lambança

Tantos gritos na multidão
Com a batida
Meu coração grita
E grita sem cessar

Pela sua lembrança
Pela lambança
Que tu fizestes na minha vida

Veio, me agorou
Me ludibriou
Me amou
E me deixou

Sem raça
Sem força
Sem pão
Sem coração.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Destino

Ei senhor destino
Sente-se aqui ao lado
Vamos conversar

Quem lhe dá o direito 
De me jogar aos leões
E depois que eu venço 
Você vir me matar?

Não me venha com desculpas    
De infortúnios do senhor tempo
É você quem cria os meus lamentos.
                                                      
Quando for rodar a vida
Não  me jogue aos leões novamente
Me deixe latente
E mostre novas decepções    

Eu sei que tudo isso é complicado
Mas o gasto do passado
Já não me cabe mais  

Traga-me novas histórias
Com outras glórias
E veros infortúnios         

Então meu caro destino,
Por aqui estamos conversados
Espero que a vida tenha novos atos
E outros infinitos.

sábado, 3 de outubro de 2015

Leão de Neméia

Essa capa de fera
Que cobre o exterior
Não demonstra o horror
Que guardo nas entranhas
                                                        
Nessa guerra travada
Entre eu e o herói
As minhas garras me cortam
Como um algoz

E nessa autofagia      
Que corrói dentro de mim
Minhas sequelas querem
O fim.

Lua de Sangue

Eu sou a lua
Branca alva e crua
Você é a sombra
A dor que me cobre
É essa energia errônea

Nas andanças que a vida faz
Você me cobre
Me eclipsa
Me eleva ao céu da morte

Com essa dor cravada
Eu sangro como a lua  
Minha alma aos ragos
Mostra o risco vermelho
Que escorre pelos olhos

Nas tantas lembranças de nós dois
Eu só vejo o depois
Do meu coração
Coberto por sombra e dor
Coberto por você.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Lobos

Eu ouvi o uivo dos lobos
Eles olhavam para mim
No frio que sentia no corpo
Os ouvia rugir

No coração as garras, cravadas
Não me deixavam partir
A cada mordida
Eu via, o fim

Os olhos dos lobos eram castanhos
Eram sim, as mais belas feras  
Que me consumiam demais
E por mais, deixavam meus restos

E nessa de perder partes de mim
Para eles
Encontrava aqui parte deles
Lobos furiosos que se foram

E me transformaram em outro lobo.